Teoria do apego


John Bowlby
A TEORIA DO APEGO é uma das teorias mais importantes para se compreender a Neuropsicoterapia.
Os estudos que a originaram começaram na década de 30 com o psicanalista e psiquiatra britânico: John Bowlby. Ele estava especialmente interessado em estudar um fenômeno que observava no dia a dia de seu trabalho na psiquiatra infantil. 
Por trabalhar cotidianamente com crianças, ele notou que aquelas que recebiam cuidados inadequados na primeira infância ficavam particularmente ansiosas ou desconfortáveis quando eram separadas de seus cuidadores (pais ou pessoas substitutas, como avós, tios, babás,...).
A partir dessa observação, Bowlby se interessou em estudar os efeitos do cuidado materno sobre as crianças em seus primeiros anos de vida e como tais efeitos poderiam impactar no desenvolvimento destas crianças.

Grande parte do investimento de Bowlby em estudar essa questão resultou no surgimento da Teoria do Apego. Isso porque uma das conclusões mais impactante de sua teoria é a de que há uma demanda biológica em todos os seres humanos que faz com que os cuidados dos pais (particularmente nos primeiros anos de vida da criança) sejam muito importantes para o desenvolvimento da criança e para sua vida adulta.

Essa demanda biológica de todos os seres humanos é o que Bowlby postulou como o Comportamento de Apego. Segundo ele, o sistema de apego seria mais um dos mecanismos de regulação do organismo(biologicamente programado) para garantir a sobrevivência no meio ambiente em que vivemos. O comportamento de apego seria tão importante para a sobrevivência quanto os mecanismos de alimentação e reprodução, por exemplo. Todos estariam dentro de nosso "kit básico" de sobrevivência.
O comportamento de apego fala de uma necessidade biológica de segurança e proteção. Por isso, "a serviço" dessa necessidade o comportamento de apego é:

 "a busca e a manutenção da proximidade com um outro 'mais forte e mais sábio'" (Bowlby, 2002).

Para uma criança pequena, isto significa dizer que sua sobrevivência depende da existência de um adulto e da sua aptidão maior para lidar com o mundo.
O comportamento de apego viria como um mecanismo voltado para possibilitar a proximidade com um adulto "mais forte e mais sábio" para, depois, desenvolver um vínculo específico com ele de forma a estar preservado em alguns aspectos de sua sobrevivência. Curiosamente, Bowlby também descobriu que há nos adultos o "comportamento de cuidar" que seria um correspondente ao "comportamento de apego". E que esse "comportamento de cuidar" no adulto em muito tem a ver com a maneira como este adulto vivenciou seu "comportamento de apego" nos seus primeiros anos de vida.

Bowlby, por estar diretamente ligado a campos como a biologia evolucionária e a etologia, descobriu tal comportamento de apego como algo também presente em mamíferos e aves, o que deu margem para que ele entendesse a teoria do apego como uma teoria biológica do apego.
Tais mecanismos biológicos que impulsionam uma pessoa a buscar proximidade com um outro mais forte e mais sábio é um recurso para que a sobrevivência seja garantida, principalmente em situações estranhas, de perigo ou de ameaça.
Em primatas, por exemplo, o bebê chimpanzé e o bebê babuíno passam os primeiro momentos da infãncia em estreita proximidade com a mãe, sendo fisicamente agarrados e carregados por estas. As carneiras fêmeas, por sua vez, em seus rebanhos, mantém o comportamento de apego (proximidade) até a idade adulta avançada, em que vemos a jovem seguindo a mãe, que segue a avó, que segue a bisavó. Os comportamentos de cuidado, por exemplo, também aparecem quando um "falcão voa sobre suas cabeças ou um ser humano se aproxima demais" e a mãe aperta o bebê contra seu corpo, protegendo este de estar longe desta e, portanto, protegido. Mesmo que o bebê falcão esteja disposto a ir longe, observa-se que ele nunca está disposto a afastar-se muito, confirmando o comportamento de apego.
Mas quando aplicado em seres humanos, o comportamento de apego (busca por proximidade para garantir a própria sobrevivência) e o comportamento de cuidar (busca por proximidade para garantir a segurança e proteção necessários para a sobrevivência de um outro 'mais jovem e mais frágil') aparecem de formas muito singulares.
Em exemplos visíveis das diversas formas do comportamento de apego nos seres humanos estão:
  • Procurar o cuidador (com o olhar) 
  • Seguir fisicamente o cuidador
  • Chorar
  • Sorrir
Esses mecanismos são formas de comunicação que o bebê tem para se comunicar com seu cuidador e, inclusive, comunicar seus "pedidos" por segurança e proteção, dada por um outro "mais forte e mais sábio". Assim, quando o bebê está em uma situação sentida por ele como ameaçadora, estranha ou assustadora ele irá recorrer à sua figura de ligação. Essa figura de ligação servirá como um porto seguro para que ele se sinta compreendido, acolhido, atenuado em seus medos e ansiedades e, por fim, aprender a sentir e lidar com suas emoções de uma forma saudável.



Mary Ainsworth
 Há uma importante co-autora da teoria do apego que é a psicóloga norte-americana Mary Ainsworth. Ela  fez pesquisas importantes a respeito do vínculo entre mãe-bebê e que acabaram por ser a aplicação experimental da Teoria de Apego. 

A pesquisa que ilustra bem a Teoria do apego "em ação" é um experimento chamado "Situação Estranha" e é realizado com crianças entre 12 e 18 meses de idade (1 ano, 1 ano e meio).
Nesta pesquisa há 3 elementos geradores de ameaça e insegurança para o bebê:
1. um ambiente desconhecido;
2. a presença de pessoas estranhas;
3. a separação da mãe.
Ainsworth e os outros pesquisadores querem observar se, e de que forma, as crianças conseguem utilizar suas mães como bases seguras (mais fortes e mais sábias) para se sentirem protegidas nas situações geradoras de muita vulnerabilidade. Se assim o bebê recorrer à mãe para buscar proximidade e, consequentemente, segurança temos um exemplo do comportamento de apego. 
Vejamos o vídeo deste experimento: