Sobre a Neuropsicoterapia

Na psicologia,  há muitos tipos de terapia.
O ponto em comum entre todas elas é a saúde e o bem-estar do paciente como objetivo principal do tratamento.
O que diferencia uma terapia da outra é a teoria, a postura e a técnica próprios de cada modelo de trabalho.

Assim, a Neuropsicoterapia é:
  • uma terapia desenvolvida por Diana Fosha, psicóloga, professora e atual diretora do AEDP Institute (com sede na cidade de Nova Iorque, nos EUA). Em NY, a Neuropsicoterapia é chamada pela sigla americana AEDP. Site oficial: http://www.aedpinstitute.org/
  • Esta terapia é inovadora e representa o rumo que a Psicoterapia Psicodinâmica Breve está tomando neste início do século XXI.
  • A Neuropsicoterapia acredita em paradigmas diferentes de alguns paradigmas da psicologia tradicional. O principal deles diz respeito à postura adotada pelo terapeuta. Nesta linha de trabalho, o terapeuta é ativo, presente e engajado emocionalmente na relação com seus pacientes (T= Isso que você está me contando está me fazendo sentir X ou Y....). Este valor está fundamentado na perspectiva de que a terapia deve acontecer como uma experiência vivida numa relação real e afetiva, pois essas trocas  são o caminho para que novas experiências sejam consolidadas e a transformação aconteça. Ao contrário, se o terapeuta colocar suas emoções fora da relação, a distância será aumentada, comprometendo a via de mão dupla necessária para que aconteça a conexão, a segurança e a transformação. (Percebi, assim, que falar, mostrar e sentir a emoção junto com os pacientes fazia com que eles ficassem cada vez menos defendidos e isso permitia que eles se aprofundassem cada vez mais nas suas experiências emocionais- Diana Fosha, 2008). 
  • A atividade do terapeuta também está relacionada com o conceito teórico de base segura. Sucintamente, isso quer dizer que o movimento de exploração do mundo, as sensações de abertura, expansão e coragem para correr riscos estão atreladas à segurança provinda de uma relação em que o outro funciona como um porto seguro para o qual se pode recorrer quando em situações estranahs ou perigosas. 
  •  Acredita-se que a necessidade de uma base segura é primordialmente uma necessidade biológica que é coordenada pelo Sistema Nervoso Central e os recursos biológicos de regulação interna (princípio da homeostase). No caso dos humanos, a neurociência encontrou recentemente o terceiro sistema do SNC, nomeado de Sistema Social. Nele estão presentes mecanismos fisiológicos voltados para o apego social e as experiência de compartilhamento. 
  •  Na verdade, esta terapia é resultado de muitas conversas entre os conhecimentos tradicionais e os estudos mais recentes da psicologia e de suas áreas vizinhas (biologia, medicina, física, meditação...) e, por isso, acaba sendo uma visão que reúne e integra diferentes teorias.*
  • Esta terapia está muito ligada a uma compreensão biológica do desenvolvimento humano. Ou seja, junto às dimensões psicológica e social, é considerada também a dimensão biológica, fazendo com que compreendamos certas necessidades humanas como buscas naturais de sobrevivência e adaptação ao meio ambiente em que se vive. 
  • Um exemplo rápido desta dimensão biológica é a necessidade humana de formar vínculos afetivos estreitos, dando às relações importantes papéis no desenvimento físico, emocional e psíquico dos seres humanos ao longo de toda a sua vida. Exemplos destes vínculos afetivos estreitos são nossos pais, ou as pessoas que exerçem a função de cuidador nos primeiros anos de nossas vidas. 
  • Da mesma forma que a natureza e a qualidade das relações podem "construir" nosso mapa interno, a relação entre o terapeuta e o paciente também pode ser um "veículo" por meio do qual este mapa é "reconstruído".
  • O objetivo é que o paciente, por meio das ondas de afeto experienciadas na relação com seu terapeuta, possa viver experiências emocionais diferentes das vividas por ele até então. Recebendo reações emocionais diferentes do terapeuta, ele tem a oportunidade de vivenciar emoções diferentes, ampliar a experiência que tem do mundo e sentir-se transformado. Tão profundo é este poder transformacional dos afetos e das relações que a neuropsicoterapia acredita que certas experiências emocionais são curativas e podem alterar os caminhos do nosso cérebro, a forma como sentimos nossos afetos e como nos relacionamos com mundo. Assim nos transformamos, pois passamos a sentir, entender e enxergar o mundo e a nós mesmos de outra maneira.
  • Mas o caminho para que algumas partes dos mapas (construídos ao longo de toda uma vida) sejam transformadas é o trabalho com as emoções que estejam presentes no "aqui e no agora". Dessa forma o terapeuta estimula o paciente a tornar-se consciente do que está acontecendo com as suas emoções enquanto elas estiverem presentes na experiência, indo além daquelas que este descreve em seus relatos. Assim, os registros do passado são trabalhados no presente e transformados para o futuro. ("Os fenomenos clinicos não são inferidos, referenciados interpretados ou apenas falados. Eles são experienciados pelo paciente"- Diana Fosha, 2008).

*Das teorias que compõem a neuropsicoterapia estão:


  1. Neurociencias afetivas e estudos de regulação (A. Damásio, 1998; D. Siegel, 1994, 2007; S. Porges)
  2. Teoria do Apego e seus estudo atuais (J. Bowlby, 1969, 1973, 1980; Fonagy, 2000; Main e Hesse, 1975; Ainsworth, 1978,1985)
  3. Estudos de intersubjetividade (D. Stern, 1985, 2004; Beebe e Tronick, 2002)
  4. Teoria Emocionais (W. James, 1890,1902; C. Darwin, 1872; A. Damásio, 1994; S. Tomkins, 1962)
  5. Estudos de mindfulness (D. Siegel, 2010; Seligman, 2005; R. Hanson, 2009; T. Brach, 2003)
  6. Estudos do trauma (O. van der Hart, 2006; P. Odgen, 2007)







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