A Linguagem da Neuropsicoterapia

Na Neuropsicoterapia, ambas as linguagens (a do hemisfério direito e a do hemisfério esquerdo) são trabalhadas, mas o caminho que se prioriza é o da linguagem da emoção para a linguagem do metaprocessamento das emoções, ou seja, do hemisfério direito para o esquerdo.
Isso não quer dizer que o diálogo entre terapeuta e paciente será feito como a de um adulto para com uma criança com menos de 3 anos de idade, nem nenhum tipo de regressão.
Significa, ao invés, que a teoria e os métodos deste tipo de trabalho estão voltados para a exploração de aspectos que estão alocados e definidos como funções do hemisfério direito.

Lembra quando falei que a criança processa mais o formato (doçura da voz) do que o conteúdo (xingamento) ?!
Nesta abordagem terapêutica, o formato é importante fonte de informação em relação ao conteúdo.

Primeiro vamos lembrar que quando pensamos em terapia pensamos numa comunicação que se faz através da fala.
É falando que o paciente conta sua queixa, como foi sua semana, a briga que teve com seu cônjuge, o medo na véspera da prova, os conflitos, as dúvidas,...e é falando que o terapeuta pode conversar com o paciente.
O terapeuta desta abordagem escuta com atenção a história contada pelas palavras e conversa com ela, mas escuta também uma outra história, essa contada pelo corpo, e também conversa com ela.
Assim, o peito aberto ou recolhido, o tom projetivo ou instrospectivo da voz, o timbre medroso ou firme das frases, o movimento acelerado das mãos, a mão em concha no peito, o respirar mais curto, o suspiro, as pernas batendo rápidas, a contração dos ombros,...são registros corporais que contam uma história que tem a ver com a história contada pelas palavras do paciente.
Enquanto as palavras do paciente contam a história dos fatos e a sequência cronológica dos acontecimentos, o corpo do paciente conta a história das emoções envolvidas em cada parte de seu relato verbal.

Exemplo: O Paciente conta que, em seu trabalho, às sextas-feiras, os funcionários não precisam comparecer na empresa, podendo cada um fazer o trabalho do lugar que desejar, sendo apenas exigido que as tarefas estejam entregues até às 20h. Este paciente escolhe fazer seu trabalho de casa e conta que ultimamente está tendo problemas com o prazo ao final do dia. Relata que seu problema não é conseguir acordar, que o despertador toca, mas ele parece não ouvir e, quando percebe, já se passaram mais horas do que ele já deveria ter levantado pra dar tempo de fazer tudo.
Diz dormir 9h por dia e que nada de extraordinário está acontecendo em sua vida.
Este é o conteúdo da fala de nosso paciente-exemplo, mas este mesmo paciente, ao fazer tal relato, está com os punhos fechados, a voz um tanto quanto abafada e trêmula e sua postura está totalmente desvitalizada.
Nesta abordagem, esses sinais corporais são muito importante para o que estamos chamando aqui de "formato".
Este "formato' é o hemisfério direito falando a sua língua, ou seja, a linguagem das emoções.
Tudo que é dito sem palavras também está contando uma história que tem a ver com as palavras contadas.

Neste caso ilustrativo, o paciente poderia entrar em contato com a raiva, o desânimo, o desespero ou o medo que podem estar acompanhando esta experiência no seu trabalho.
Assim, a terapia começaria pelas emoções presentes em cada momento do "aqui e do agora" para, depois, processar simbolicamente como foi:
a experiência de ter vivido tais emoções
a experiência de ter vivido-as com a presença de seu terapeuta